FESTA JUNINA

O caipira, a noiva, a comitiva de convidados, a fogueira, os balões, o quentão, a canjica, o pé-de-moleque entre outras tradições típicas da época. Quem já não se contagiou pelo clima festeiro do São João? Essa festa de características ditas caipiras foi adotada pelo povo brasileiro e hoje toma conta de quase todo o país. Muita gente não sabe a origem do São João, mas vale lembrar que essa também é uma celebração de cunho religioso.
Mas nem sempre foi assim. Segundo conta a tradição, apesar da origem religiosa, o São João remonta o surgimento do catolicismo.
Há indicações de que ela tenha surgido em consequência do solstício de verão na Europa, Oriente Médio e norte a África, época em que os povos celtas, bretães, bascos, sardenhos, egípcios, persas, sírios e sumérios criavam expressões de fertilidade para promover o crescimento da vegetação e a fartura das colheitas.
Esses rituais, apesar de serem considerados pagãos, não poderiam ser apagados da memória dos povos, então a Igreja Católica resolveu adaptá-los às comemorações da festa de São João, que nasceu no dia 24 de junho, dia do solstício.
O calendário das festas católicas é marcado por diversas comemorações de dias santos cujo ciclo é iniciado com o nascimento de Jesus Cristo e encerrado com a sua paixão, morte e ressurreição. Na nossa tradição, as festas mais importantes são a Páscoa, o Natal e o São João, que faz parte de um ciclo que denominamos Festa Junina. Dentro dele há as comemorações dos principais santos do mês de junho: Santo Antônio, dia 13; São João, dia 24; São Pedro e São Paulo, dia 29.

A ORIGEM DA FESTA JUNINA NO BRASIL

É possível perceber a importância de São João para seus devotos e para a Igreja quando nos damos conta de que a festa em homenagem aos santos de junho, que percorre os trinta dias do mês, foi denominada "Festa joanina" devido a São João.
O nome joanina teve origem, segundo alguns historiadores, nos países europeus católicos no século IV. Quando chegou ao Brasil foi modificado para junina. Trazida pelos portugueses, logo foi incorporada aos costumes dos povos indígenas e negros.
A influência brasileira na tradição a festa pode ser percebida na alimentação, quando foram introduzidos o aipim, o milho, o jenipapo, o leite de coco e também nos costumes, como o forró, o boi-bumbá, a quadrilha e o tambor-de-crioula. Mas não foi somente a influência brasileira que permaneceu nas comemorações juninas. Os franceses, por exemplo, acrescentaram à quadrilha, passos e marcações inspirados na dança da nobreza européia.
Já os fogos de artifício, que tanto embelezam a festa, foram introduzidos pelos chineses.
A dança-de-fitas, bastante comum no sul do Brasil, é originária de Portugal e Espanha.
Para os católicos, a fogueira que é o maior símbolo das comemorações juninas, tem suas raízes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria.

Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se.
Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que, dentro de algum tempo, iria nascer seu filho, que se chamaria João Batista.
Nossa Senhora, então, perguntou-lhe:
- Como poderei saber do nascimento do garoto?
- Acenderei uma fogueira bem grande; assim você de longe poderá vê-la e saberá que Joãozinho nasceu. Mandarei, também, erguer um mastro, com uma boneca sobre ele.
Santa Isabel cumpriu a promessa.
Um dia, Nossa Senhora viu, ao longe, uma fumacinha e depois umas chamas bem vermelhas. Dirigiu-se para a casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia vinte e quatro de junho.
Começou, assim, a ser festejado São João com mastro, e fogueira e outras coisas bonitas como: foguetes, balões, danças, etc…

No Nordeste do país, existe uma tradição que manda que os festeiros visitem em grupos todas as casas onde sejam bem-vindos levando alegria. Os donos das casas, em contrapartida, mantêm uma mesa farta de bebidas e comidas típicas para servir os grupos. Os festeiros acreditam que o costume é uma maneira de integrar as pessoas da cidade. Essa tradição tem sido substituída por uma grande festa que reúne toda a comunidade em volta de palcos onde prevalecem os estilos tradicionais e mecânicos do forró.

13 - SANTO ANTÔNIO

Entre os santos que mais são comemorados durante as festas juninas. Santo Antônio é com certeza o que mais possui devotos espelahados pelo Brasil e Portugal.
Esse santo, que normalmente é representado carregando o menino Jesus em seus braços, ficou realmente conhecido como "casamenteiro" e é sempre o mais invocado para auxiliar moças solteiras a encontrarem seus noivos.
Ele também é conhecido por ajudar as pessoas a encontrarem objetos perdidos.
Padre Vieira, em um sermão que realizou no Maranhão, em 1963, foi quem melhor definiu esse santo: "Se vos adoece o filho, Santo Antônio; se requereis o despacho, Santo Antônio; se perdeis a menor miudeza de vossa casa, Santo Antônio; e, talvez, se quereis os bens alheios, Santo Antônio".
Conta a tradição que são realizadas duas espécies de reza e festa em homenagem a Santo Antônio. A primeira delas, chamada "os responsos", é realizada quando o santo é invocado para acgar coisas perdidas e a segunda, designada "trezena", é a cerimônia dedicada ao santo do dia 1 ao dia 13 de junho, com cânticos, fogos, comes e bebes e uma fogueira com o formato de um quadrado.
Ainda há um outro costume que é muito praticado pela Igreja e pelos fiéis. Todo o dia 13 de junho, as igrejas distribuem aos pobres e afortunados os famosos pãezinhos de Santo Antônio. A tradição diz que o pãozinho deve ser guardado dentro de uma lata de mantimento, para a garantia de que não faltará comida durante todo o ano.

24 - SÃO JOÃO

Outro santo muito comemorado no mês de junho é São João. Esse santo é o responsável pelo título de "santo festeiro", por isso no dia 24 de junho, dia de seu nascimento, as festas são recheadas de muita dança, em especial o forró.
No nordeste do país, existem muitas festas em homenagem a São João, que também é conhecido como protetor dos casados e enfermos, principalmente no que se refere a dores de cabeça e de garganta.
Alguns símbolos são conhecidos por remeterem ao nascimento de São João, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericão.
Existe uma lenda que diz que os fogos de artifício soltados no dia 24 são para "acordar São João". A tradição acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que são acesas em sua hoemnagem, não resistiria e desceria à terra.
As fogueiras dedicadas a esse santo têm forma de uma pirâmide com a base arredondada.
O levantamento do mastro de São João se dá no anoitecer da véspera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roliça, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triângulo com a imagem dos três santos, São João, Santo Antônio e São Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de São João do carneirinho. A bandeira é colocada no topo do mastro.
O responsável pelo mastro, que é chamado de "capitão" deve, juntamente com o "alferes da bandeira", responsável pela mesma, sair na véspera do dia em direção ao local onde será levantado o mastro.
Conta a tradição que a bandeira deve ser colocada por uma criança que lembre as feições do santo.
O levantamento é acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as orações e benze o mastro.
Uma outra tradição muito comum é a lavagem do santo, que é feita por seu padrinho, pessoa que está pagando por alguma graça alcançada.
A lavagem geralmente é feita à meia-noite da véspera do dia 24 em um rio, riacho, lagoa ou córrego. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma cuia, caneca ou concha. Depois da lavagem o padrinho entrega a imagem à madrinha que a seca com uma toalha de linho.
Durante a lavagem é comum lavar os pés, rosto e mãos do santo com o intuito de proteção, porém, diz a tradição que se alguma pessoa olhar a imagem de São João refletida na água iluminada pelas velas da procissão, não estará vivo para a procissão do ano seguinte.

29 - SÃO PEDRO

O guardião das portas do céu é também considerado o protetor das viúvas e dos pescadores. São Pedro foi um dos doze apóstolos e o dia 29 de junho foi dedicado a ele. Como o dia 29 também marca o encerramento das comemorações juninas, é nesse dia que há o roubo do mastro de São João que só será devolvido no final de semana mais próximo. Mas como as comemorações juninas já perduraram alguns dias, as pessoas dizem que no dia de São Pedro já estão muito candadas e não têm resistência para grandes folias, sendo os fogos e o pau-de-sebo as principais atrações da festa. A fogueira de São Pedro tem forma triangular.
Como São Pedro é cultuado como protetor das viúvas, são elas que organizam a festa desse dia, juntamente com os pescadores, que também fazem a sua hoemnagem a São Pedro realizando procissões marítimas.
No dia 29 de junho todo homem que tiver Pedro ligado ao seu nome deve acender fogueiras nas portas de suas casas e, se alguém amarrar uma fita em uma pessoa de nome Pedro, este se vê na obrigação de dar um presente ou pagar uma bebida à pessoa que o amarrou.



CURIOSIDADES:

Bombas para alegrar os festejos de São João
Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste, porque não tinha um filhinho para brincar.
Certa vez, apareceu-lhe um anjo de asas coloridas, todo iluminado por uma luz misteriosa e anunciou que Zacarias ia ser pai.
A sua alegria foi tão grande que Zacarias perdeu a voz, emudeceu até o filho nascer.
No dia do nascimento, mostraram-lhe o menino e perguntaram como desejava que se chamasse.
Zacarias fez grande esforço e, por fim, conseguiu dizer:
- João!
Desse instante em diante, Zacarias voltou a falar.
Todos ficaram alegres e foi um barulhão enorme. Eram vivas para todos os lados.
Lá estava o velho Zacarias, olhando, orgulhoso, o filhinho lindo que tinha…
Foi então que inventaram as bombinhas de fazer barulho, tão apreciadas pelas crianças, durante os festejos juninos.

Quadrilha
Esta dança, de origem francesa (quadrille), surgiu em Paris, no século XVIII. A quadrilha foi introduzida no Brasil durante a Regência e fez muito sucesso nos salões brasileiros do século XIX. No Rio de Janeiro, foi muito popularizada. Suas evoluções básicas foram modificadas e novas foram agregadas, modificando inclusive sua música e seus comandos.
A quadrilha que se dança hoje em dia no Rio é chamada de "quadrilha de salão". Segundo Luiz Marins, presidente da Ueraquerj (entidade representante das quadrilhas do estado) esta modalidade é anterior ao Carnaval, datando de 1817. De acordo com a pesquisadora Mariulza Medina seria esta a verdadeira origem dos desfiles de Carnaval.


Fonte: Coleção Santo do dia, da Editora Casa Dois
Livro Didática do Folclore, de Corina Maria P. Ruiz
Livro: Folclore goiano; cancioneiro, lendas, superstições, de José Aparecido Teixeira
Site festajunina.com.br


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