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Elas lutam por uma maior inserção na sociedade e tentam acabar com o preconceito decorrente da desqualificação profissional. É a Pastoral das Domésticas que existe há 22 anos na Paróquia da Ressurreição.

Tudo começou quando D. Eugênio veio para o Rio de Janeiro, em 1978 e, nesta época, queria formar várias pastorais, sendo uma das que mais tinha prioridade, a pastoral das domésticas. Então, pediu ajuda ao Banco da Providência que enviou assistentes sociais a muitas paróquias, inclusive à Ressurreição, iniciando-se o grupo com a coordenação de Maria Conceição Fulminéia.

As primeiras reuniões da pastoral consistiram em perceber as dificuldades das domésticas, cuja maior, concluiu-se ser a adaptação. A maior parte delas não era nativa desta cidade; abandonavam tudo que tinham para uma vida totalmente nova sem apoio de ninguém. Hoje, o quadro não mudou muito, grande parte das freqüentadoras do grupo ainda são imigrantes, de diversos locais, que saem de sua terra natal em busca de uma vida melhor, atraídas por uma indicação de emprego.

As assistentes sociais começaram com um trabalho de promoção humana que consistia em mostrar a dificuldade do ser humano através do ensino religioso, resultando na recuperação da auto-estima. Foi realizado, também, um trabalho social o qual permitia acesso à educação e à profissionalização.

O trabalho continuou e, hoje, o lema do grupo é "Promoções Humanas e Sociais". Os serviços são os mesmos, só que ampliados. Além de cursos de alfabetização, artesanato e corte e costura, oferecem, ainda, cursos de qualificação profissional e assistência jurídica, promovidos pelo sindicato das empregadas domésticas.

Atualmente, todas as freqüentadoras da pastoral são associadas ao sindicato. Este dispõe de três advogados, dois assistentes sociais e uma psicóloga para resolverem qualquer tipo de problema. As orientações e dúvidas mais corriqueiras são tiradas pela própria coordenadora do grupo, que também é vice-presidente do sindicato, a senhora Carli Maria dos Santos.

Mesmo sendo bem assessoradas juridicamente, ainda falta muito espaço a ser conquistado na sociedade. O direito ao FGTS, por exemplo, é um dos direitos mais desrespeitados, como também é, freqüentemente, desrespeitado o direito à hora extra; muitas domésticas reclamam que trabalham mais de 12 horas ininterruptas sem receberem mais por isso. Em contrapartida os patrões reclamam que dão moradia e alimentação, elementos bem onerosos nos dias de hoje.

"A solução acaba sendo encontrada num acordo amigável, mas acho que a prática trabalhista desrespeita a legislação; não há conhecimento jurídico de ambas as partes e, nessa relação entre patrão e empregada, esta última acaba levando a pior". Revela a sra. Carli.

A Pastoral das Domésticas se reúne todas as 4ª feiras às 20h e lembram que, além dessas atividades, fazem estudos bíblicos e rezam o terço. O dia 27 de abril, dia das empregadas domésticas, é celebrado com muita alegria, com missa em intenção à classe e lanche comunitário. Se você é empregada doméstica ou tem alguma curiosidade sobre o grupo, visite-o; ele espera por você de braços abertos.