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“Adoro viver. Amo a vida, minha família, minha loja e minha convivência na paróquia, em especial com o grupo da Perseverança”.
É emocionante ouvir esta declaração de um homem que, em sua cadeira de rodas, fala com tranquilidade sobre como a fé o sustentou nas sucessivas doenças, infecções e comas por que passou e nas tantas vezes que foi desenganado. Aos 72 anos conta jovialmente como, nas horas mais difíceis, recorria à N. Sra. do Líbano, padroeira de seu povo, pedindo que não se esquecesse daquele menino miúdo que, muitos anos antes, se ajoelhava e rezava para ela, na igreja católica maronita da R. Conde de Bonfim.
Ele é Jorge Bedran e não há quem não o admire. Casado com a bela e querida “Tia” Suzana e pai de três filhos, sabe como foram importantes o afeto e a presença da família para sua cura, volta ao trabalho e à Perseverança, grupo que fundou há 14 anos, por delegação de Pe. José Roberto, e que chegou a ter mais de 100 pessoas, quando Jorge se uniu a Pe. Ionaldo na supervisão. Hoje, o grupo vive novo momento de florescimento.
“A orientação é centrada na valorização da família. Criamos uma relação de confiança com o grupo, composto por jovens de 13 a 18 anos, momento fundamental na formação do homem. Nosso objetivo é apontar um caminho espiritual, de busca à harmonia e à realização e mostrar que a fé ampara, que não estão sozinhos. Aliás, muitos frequentam nossa casa e alguns nos procuram fora do grupo, quando em situações mais difíceis. Sempre os acolhemos”, conta Jorge.
Assisti a uma reunião (18h, domingo, no subsolo) e percebi que, para estes jovens, Jorge é um pai amado, um “tio” como alguns o chamam, um amigo mais velho, enfim, a figura masculina ausente na casa de muitos. Jorge os escuta com atenção; se dirige a eles com autoridade, mas com afeto. Priscila, Monica e Camila fazem a ponte entre as gerações e complementam as figuras familiares: são um pouco mães, irmãs. Em silêncio, 43 jovens ouviam o testemunho de dois rapazes de Belo Horizonte sobre conversão, drogas, sexo, problemas familiares. Depois, alguns novatos se apresentaram e falaram de seus sonhos e projetos. Usando a linguagem dos meninos, Pe. Vadson comentou costumes dos jovens, sob a visão da Igreja. Tudo sem censura ou hesitação, em clima de total confiança, como entre amigos que se conhecem há muito.
Uma hora e quarenta: como passou rápido! Tudo acabou entre abraços e risadas e com um lanche (um saco cheio de gostosuras), oferta da família Bedran que muitos levam para casa e dividem com irmãos. Saio pensando na generosidade de porta e mente abertas para o outro. Certamente, o melhor caminho para manter viva a perseverança no coração de cada um de nós.

(Maria Christina M. de Castro em março/2010)