Não permita que "deletem" Deus da sua vida
Estimados paroquianos,
A reflexão deste mês já estava preparada, sobre os jovens de nossa paróquia que encontraram novos métodos e novo ardor para o anúncio do Evangelho na preparação e no encontro jovem A Nova Onda.
O Papa João Paulo II, em Santo Domingo, conclamava a todos que revissem seus métodos de anunciar a Boa Nova, pois Cristo é o mesmo “ontem, hoje e sempre”, mas os métodos e o ardor devem ser compatíveis com os dias de hoje. E assim nossos jovens panfletaram em bares, boates, na praia. Devemos incentivá-los, mesmo que não falem nossa “língua”, pois desejam profundamente uma experiência com Deus.
Mas, como dizia no início, tive que mudar minha reflexão para um assunto mais urgente. No dia 8 de agosto, fui surpreendido no final da missa na TV Brasil (que celebro aos domingos, às 8h), com as palavras do responsável pelos programas a “Santa Missa em seu Lar” e “Palavras de Vida”, relatando a notícia, publicada nO Estado de São Paulo, em 28.07.10, sob o título “Programação religiosa da TV Brasil pode chegar ao fim”. O texto da notícia dizia: “O conselho curador da empresa (...) aprovou proposta do conselheiro Daniel Aarão Reis Filho de substituir a atual programação religiosa por programas de discussão do tema [religioso], sem proselitismo. (...) Um edital de consulta pública sobre o assunto sairá em agosto. (...) O cronograma levará ao fim os atuais programas católicos e evangélicos”. Pois permitam-me pensar em voz alta:
1) Até nossa Constituição se inicia com o nome de Deus: “Nós, representantes do povo brasileiro (...) promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil...”
2) Eu celebro há anos na TV Brasil e jamais houve qualquer palavra que pudesse ser interpretada como proselitismo; pelo contrário, em uma das missas agradeci a evangélicos que participam e gostam de ouvir a palavra de Deus.
3) O Estado é laico (ou seja, não há religião oficial), mas é formado por uma população extremamente religiosa e onde a mensagem cristã foi assimilada pela cultura. Todos aceitam que a arte sacra foi a primeira manifestação artística no Brasil Colônia, após a Descoberta (cf. Eduardo Etzel, “A Arte Sacra berço da Arte Brasileira”). Em nossa história, tudo começou com uma missa na Terra de Santa Cruz - posteriormente Brasil - e imortalizada na pintura de Vitor Meirelles, exposta no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro. Não seria finalidade, também, de uma emissora estatal manter as raízes de nossa cultura? Ou será que imitaremos o mau exemplo da União Soviética que, tentando colocar em prática a frase de Karl Marx “a religião é o ópio do povo”, fechou as igrejas, transformou a bela catedral de São Petesburgo em museu do ateísmo e alterou o nome da cidade para Leningrado? Hoje, a cidade voltou a chamar-se São Petesburgo e as igrejas foram reabertas. E isto em um Estado profundamente leigo.
Será que esses curadores querem um Brasil sem memória? Em uma TV estatal deve haver espaço para todos.
A Bíblia nos alerta “Pois virá um tempo em que alguns não suportarão a sã doutrina, pelo contrário, seguindo seus próprios desejos, se rodearão de novos mestres, desviarão os seus ouvidos da verdade, orientando-se para as fábulas” (2Tim 4,3-4).
Na imagem que ilustra esse artigo, Adão em seu divã exibe, orgulhoso, seu instrumento de poder: o controle remoto. Mas, no momento acontece o contrário, aqueles a quem outorgaram o poder de decisão é que querem “deletar” um dos programas mais antigos da TV e de mais audiência na emissora. Não permita que “deletem” Palavras de Vida e a Santa Missa de sua vida!
Pe. José Roberto Devellard, pároco (ago/2010)
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