Se não fosse o Natal...
“Se não tivesse havido, um dia, em nossa história, essa invasão divina, de divino amor; se a Deus não ocorresse este projeto ousado de se fazer homem e viver entre nós; se aquela noite fria, em terra estranha e Sua, não tivesse acolhido o silêncio da Moça, o zelo do Varão e, mais que tudo isso, o vagido impotente do Deus assim menino, assim recém-nascido, assim igual, irmão...
... seria sem-história a nossa história humana;
... seriam nossos dias como qualquer dia, e nossa vida, uma vida qualquer;
... órfãos de Deus, de amor e de esperança, a nossa noite seria sempre noite fria e vã;
... e o silêncio que, em nós, tanta vez se faz grito de angústia e solidão, seria sem resposta, sem sentido, sem eco, insolução;
... e a nossa caminhada, sem destino; e a nossa casa, abrigo do cansaço perdido; e as nossas mãos vazias, mais vazias, inutilmente unidas, se estenderiam, perdidas, em qualquer direção...
Mas o Natal de Deus, de fato, aconteceu! Não de Deus, propriamente, mas o Natal do Homem, do Deus que se fez Homem, do Homem feito Deus: eu nasci, tu nasceste, nós nascemos, naquela noite fria em terra estranha, que já não é mais fria, estranha, nem é noite, tamanha foi de Deus a consideração.
Não foi à toa que Ele escolheu Belém — que significa a “Casa do Pão”, Não foi à toa que procurou um pouso, batendo de porta em porta — “não havia lugar para Ele”, faltava acomodação. Ele ainda hoje, tantas vezes, recebe a mesma recusa, o mesmo não. Mas Deus insiste em buscar, pedir licença para nascer na terra estranha e sua, que é terra dos homens, mas só o será de vez pela Sua presença em nosso chão. Por isso é que Ele pede um lugar, uma casa, um espaço, que tanto é para ele como para nós: sua Casa é nossa Casa, nossa mesa é seu Altar.
Não é à toa que, no aniversário de Deus feito homem, é a nós mesmos, uns aos outros, e não a Ele diretamente, que damos os parabéns, que desejamos Feliz Natal.”
Estimados (as) paroquianos (as),
Encontrei o texto acima, possivelmente escrito por D. Eduardo Koaik (antigo pároco), para a campanha de construção dessa paróquia. Em homenagem a D. Eduardo, faço desse texto minha mensagem, meu desejo de Feliz Natal.
Nossa igreja de pedra foi construída e a igreja que somos, cada um de nós, continua a ser edificada.
Agradeço a Deus por toda a colaboração que venho recebendo através dos anos e aceite a ornamentação de Natal da paróquia como um presente que ofereço a cada um de vocês. Glória a Deus nas alturas e paz na Terra para todos nós!
Feliz Natal, muita esperança para 2012!
Pe. José Roberto Devellard (pároco)
Pe. José Roberto Devellard, pároco (dez./2011)
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